#23. Desafios da relação Família e Escola

Educação  Inclusiva: quando o estudante deve ser atendido em suas necessidades de aprendizagem? É direito ou não o estudante receber apoio diferenciado se não tiver um diagnóstico? O laudo é obrigatório?

Quando pensamos em Educação Inclusiva, e aqui nos referimos ao conceito previsto na Política Nacional de Educação Especial na perspectiva da Educação Inclusiva, de 2008,  pensamos na escola como um espaço de diversidade, que acolhe as diferenças e os diferentes ritmos de aprendizagem.

 

Quando o professor percebe que o estudante está apresentando um ritmo diferente do esperado, é preciso que se  aproxime ainda mais e crie novas estratégias para checar e compreender os possíveis motivos. Em um primeiro momento, é preciso identificar a natureza da dificuldade. Portanto,  conhecer, acompanhar e entender as demandas individuais do estudante são atitudes essenciais no processo de aprendizagem, em sala de aula. 

 

Uma escola inclusiva é uma escola que agrega, que precisa quebrar os paradigmas de que todos aprendem da mesma maneira e ao mesmo tempo. Mesmo tendo um plano de ensino igual para todos da turma, é possível que se utilize de vários caminhos individuais para ensinar e promover aprendizagens que alcancem os objetivos de ensino previstos na série.

 

Se ao longo desse processo de acompanhamento, o professor observar outros aspectos que impedem ou atrapalham o estudante de progredir e aprender, e que não são possíveis do professor solucionar, este é o momento de partilhar com a família para compreender melhor o que pode estar ocorrendo.

 

O diálogo com a família precisa ser cuidadoso e  acolhedor. Reservar um momento, um espaço e um tempo qualificado para a escuta e a partilha é importante, uma vez que informações delicadas podem ser apresentadas. Mostrar à família o trabalho desenvolvido pela escola, com evidências, ouvir as percepções dos pais com relação ao filho, pensar em conjunto sobre o que pode estar acontecendo e levantar hipóteses juntos, pode ser um caminho favorável em busca de soluções, investigações e tomadas de decisão. Aliás, é direito da família participar do processo de acompanhamento escolar do estudante, bem como participar da definição das propostas educacionais, conforme o ECA - Estatuto da Criança e do Adolescente, no artigo  53, e a LDB - Lei de Diretrizes e Bases, no  artigo 14, declaram.

 

Quando se identifica que uma avaliação de um profissional especializado trará outras informações relevantes, é possível e importante que a escola sugira esse apoio externo.  Durante a comunicação, ter uma linguagem mais acessível e simples também ajudará na compreensão das demandas e fortalecerá a parceria entre escola e família. A gestão da escola precisa estar ciente, acompanhar e orientar o trabalho do professor e apoiá-lo nos momentos de diálogo com a família também. Assim, se estabelece um clima de segurança e confiança importante entre todos os envolvidos.

 

A questão de diagnósticos, laudos médicos, portanto, não são condição para que o estudante receba apoio imediato na escola. Entretanto, quando o estudante tem alguma deficiência ou superdotação e altas habilidades, ele tem o direito de receber o atendimento educacional especializado no contraturno, em sala de recursos multifuncionais, sendo considerado então estudante da modalidade de educação especial. O laudo é um documento da área da saúde, portanto seu foco não é a educação. Essas documentações oficiais, como laudos e relatórios, agregam informações acerca do desenvolvimento do estudante e por isso, otimizam e facilitam a compreensão do que acontece e assim, ajudam os profissionais da escola a escolherem as estratégias mais adequadas para apoiar o estudante em suas aprendizagens. Porém, a escola não deve obrigar e nem condicionar esse apoio pedagógico mediante apresentação de laudos. A educação é um direito de todos!

 

Alguns tipos de estratégias para fortalecer a relação família-escola:  aproximação e abertura para o diálogo e para a escuta, estabelecendo vínculos, demonstração de interesse em conhecer e saber mais sobre a criança, a família aproximar da escola os especialistas que atendem o filho, a família contribuindo para a ampliação de conhecimentos do professor sobre as condições do filho trazendo materiais de apoio, oferecendo algum tipo de ajuda,  acolhida da escola aos profissionais que podem colaborar no processo de aprendizagem, criando um clima de  “todos pela criança”. As aulas remotas têm sido um desafio, mas é possível manter o vínculo com a família mesmo à distância, por meio de encontros virtuais, intensificando esses momentos de troca de informações, aumentando a periodicidade de reuniões e partilhas.

 

Portanto, diante dessas considerações, é possível concluir que todo estudante tem direito ao apoio em sala de aula regular de ensino ao apresentar dificuldades e necessidades de aprendizagem. Para participar do atendimento educacional especializado no contraturno das aulas, o estudante precisa ter algum diagnóstico de deficiência e o laudo é um documento importante nesse contexto.

 

Texto construído a partir da Live com Marina Stucchi, Inclua Assessoria Educacional, e Samantha Oliveira, Dislexia TDAH Amor de Mãe.

 

Crédito da foto:

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